Frequentar os melhores restaurantes da cidade e pedir os pratos mais desejados da Casa são privilégios de uma parcela mínima da sociedade. No caso dos políticos brasileiros, essa missão fica ainda mais saborosa quando quem paga a conta são os milhões de contribuintes do país. De acordo com dados e notas fiscais disponíveis no Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, é esse o caminho que a baiana Moema Gramacho (PT) trilhou desde que assumiu uma cadeira no Congresso.
No dia 19 do último mês de março, um sábado, a ex-prefeita de Lauro de Freitas almoçou no Tchê Picanhas, localizado na Estrada do Coco, e gastou R$ 120 de dinheiro público para pagar a conta. A nota disponibilizada pela parlamentar não especifica os gastos, apenas aponta “despesa com refeição”.
A deputada, no entanto, não foi tão modesta em novembro do ano passado, quando esteve no famoso restaurante Catedral, no bairro de Stella Mares, em Salvador, e usou R$ 114,70 de cota parlamentar para pagar a conta, na qual estavam inclusos pedidos como tortinhas de presunto, brandade de bacalhau e creme brule de vanilla.
Uma cerveja no valor de R$ 25,90 também aparece na nota fiscal. Procurada, a assessoria de Moema Gramacho negou que tenha comprado a bebida com dinheiro público e afirmou que “a Parlamentar não foi restituída do valor integral da NF [nota fiscal], uma vez que itens não autorizados já são descontados automaticamente do valor da NF, não integralizando, assim, seu total. Logo, não procede o questionamento sobre pagamento de bebidas alcoólicas feita com a cota parlamentar”. De fato, o Portal da Transparência mostra o valor da indenização recebida por Moema foi de R$ 86,80 e desconta o valor da cerveja.
No dia 29 de outubro do ano passado, uma quinta-feira, Moema pediu um Espeto Adulto no restaurante Fogo de Chão, em Brasília, e pagou, com cota parlamentar, R$ 127,40.
Já no dia 28 de agosto de 2015, uma sexta-feira, a deputada preferiu comer no Barbacoa, famoso equipamento localizado na avenida Tancredo Neves, em Salvador. A conta deu nada menos que R$ 150, novamente não especificando os itens do cardápio pedidos pela parlamentar. Dois dias depois, um domingo (30 de agosto), o local escolhido por Moema Gramacho foi o Boteco do Caranguejo, em Vilas do Atlântico, em Lauro de Freitas. O pedido, com salmão na chapa e água de coco, deu R$ 114,80, novamente pago com dinheiro público.
A assessoria de Moema afirmou que “não há nenhuma norma que determine ou limite a utilização da cota parlamentar, para alimentação, em dias de sessão da Câmara, pois entende-se que ao Parlamentares exercem suas funções, enquanto estão Deputados, todos os dias da semana, incluindo-se finais de semana e feriados. Uma vez que a Deputada faz atendimento parlamentar para (e em) todas as regiões do Estado e atende nos mais diversos dias e horários, de acordo com a conveniência da agenda”.
Vale lembrar que utilizar a cota parlamentar para pagamento de contas em restaurantes de luxo e itens importados não é ilegal, mas levando em consideração o momento de grande dificuldade política e econômica que o país atravessa, com índices de desemprego cada vez maiores e preocupantes, torna a prática questionável. Portanto, o VN denuncia mês a mês gastos dos parlamentares sempre que estes se mostrarem suspeitos sob a ótica da moral.
Da redação Varela Noticias.
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